Biofeedback
é uma técnica de aprendizado do controle voluntário das
funções fisiológicas, com o objetivo de recuperar ou
melhorar a saúde. É uma maneira de disciplinar as ondas
cerebrais e comandar o que geralmente o nosso organismo
costuma processar automaticamente, às vezes de forma
desordenada, quando submetido a estresse. Podemos alcançar
esse objetivo com a simples prática da meditação. Mas
para muita gente é mais fácil chegar lá através de jogos
de computador e outros recursos eletrônicos que, ligados a
sensores que medem a função fisiológica a ser controlada,
induzem o indivíduo a exercer sua vontade.
O biofeedback tem cara de
terapia do futuro, cujo campo de aplicação se alastra a
cada dia. É indicado no tratamento de estresse, ansiedade,
fobias, depressão, enxaquecas, hipertensão e arritmias
cardíacas e também nos distúrbios de aprendizagem e
dependência a drogas.
A seguir você vai ler
trechos de uma entrevista inédita do especialista José
Roberto Leite, professor e pesquisador do Departamento
de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp). Segundo José
Roberto, a eficiência do biofeedback torna evidente que a
medicina será, a partir de agora, cada vez mais
comportamental e preventiva.
Os métodos
invasivos da medicina têm sido criticados por pacientes e
por muitos médicos. A medicina comportamental é uma
soluçãopara esse problema?
Apesar de
observarmos um grande progresso na medicina, que pode ser
atribuído ao avanço tecnológico, principalmente no que se
refere ao diagnóstico, também observamos que os problemas
de saúde que mais têm afetado o ser humano nos últimos
tempos decorrem de problemas comportamentais. Neste sentido
podemos mencionar a obesidade, a dependência de drogas,a
hipertensão,os medos patológicos etc. Muitas vezes em
função desses problemas o paciente apresenta limitações
que dificultam ou até mesmo impedem que usufrua desses
avanços. É o caso, por exemplo, do medo de procedimentos
médicos. A medicina comportamental tem como um de seus
objetivos, lidar com esses problemas que envolvam
comportamentos.
Há quem
considere os anos 90 como a "década do cérebro",
tal o número de avanços científicos relativos ao
funcionamento cerebral. O que isso significou para a
medicina comportamental neste início de século?
Se
considerarmos o elenco das principais técnicas da medicina
comportamental, destacaríamos as técnicas de estados
alterados de consciência como meditação, as técnicas de
biofeedback e terapia cognitivo/comportamental como
ferramentas poderosas na terapêutica médica, isto com
amplo suporte na literatura científica.
Que novas
terapias comportamentais são projetadas a partir de estudos
atuais ou recentes?
Parafraseando
Thomas Lord Horder , citação esta mencionada em um
importante manual de medicina comportamental, "cada vez
mais o médico do futuro terá um papel mais educacional.
Lidará mais com a fisiologia e psicologia do paciente e
menos com sua patologia". Se considerarmos o progresso
que tem se obvservado na área de psiconeuroimunologia,
podemos afirmar que num futuro próximo vamos dispor de
recursos terapêuticos importantíssimos, fundamentados na
relação mente/corpo.
Haverá,
então, mais espaço para aplicação de técnicas como o
biofeedback.
O biofeedback
nada mais é que um instrumento que visa ensinar de forma
didática o paciente a emitir uma resposta mais adequada ou
adaptativa. Fundamenta-se no princípio de que uma resposta
fisiológica pode ser condicionada ou modificada se houver
um retorno de informação ao paciente, de forma visual ou
auditiva,sobre os parâmetros dessa resposta. Como se trata
de um processo de condicionamento de resposta, o resultado
da eficácia pode ser constatada na medida em que o objetivo
proposto foi atingido.
Em que
tipos de doenças a aplicação do biofeedback é mais
eficaz?
As técnicas
de biofeedback têm se mostrado úteis em várias áreas das
ciências da saúde. Beneficiam-se da técnicas o pacientes
com transtornos de ansiedade, casos de hipertensão
essencial, insônia, síndrome de dependência de drogas,
reabilitação neuromuscular etc.
Há estudos
sobre a aplicação de biofeedback no controle da epilepsia.
Quais os resultados obtidos até agora?
Alguns dados
de literatura mencionam resultados positivos do uso de
biofeedback em epilepsia. Entretanto esses dados devem ser
considerados com certa cautela e mais estudos
cientificamente controlados deveriam ser realizados com o
uso dessa técnica para esses quadros.
Com o
aperfeiçoamento das técnicas equipamentos de biofeedback
será possível, no futuro, a aplicação da terapia
enquanto as pessoas caminham, trabalham ou desenvolvem
alguma atividade?
O
desenvolvimento tecnológico no campo do biofeedback tem se
mostrado surpreendente. Hoje dispomos de softwares
impressionantes do ponto de vista motivacional. São
verdadeiros jogos de videogames, com um visual surpreendente.
Os sistemas computadorizados têm se miniaturizados de forma
significativa e em pouco tempo creio que sistemas mais
práticos deverão estar disponíveis para o público em
geral. Isto já é quase que realidade nos Estados Unidos.
Se considerarmos as diferentes modalidades, algumas são
mais amigáveis e simples de serem executadas como a de
eletromiografia ou temperatura. Outras dependem de um
razoável formação técnica para sua execução, como as
de neurofeedback.
Os
exercícios tradicionais de concentração e meditação
podem gerar efeitos terapêuticos iguais ou superiores aos
do biofeedeback com maior praticidade e menor custo?
No que se
refere a custos, as técnicas de meditação e relaxamento
podem ser alternativas interessantes para substituir o
biofeedback. Entretanto o fator motivacional que se percebe
no biofeedback é um elemento que deve ser ressaltado.