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Ano VII / Nº 311

 

 

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ENTREVISTA

Mente e corpo sob controle

Por Jomar Morais   

Biofeedback é uma técnica de aprendizado do controle voluntário das funções fisiológicas, com o objetivo de recuperar ou melhorar a saúde. É uma maneira de disciplinar as ondas cerebrais e comandar o que geralmente o nosso organismo costuma processar automaticamente, às vezes de forma desordenada, quando submetido a estresse. Podemos alcançar esse objetivo com a simples prática da meditação. Mas para muita gente é mais fácil chegar lá através de jogos de computador e outros recursos eletrônicos que, ligados a sensores que medem a função fisiológica a ser controlada, induzem o indivíduo a exercer sua vontade.

O biofeedback tem cara de terapia do futuro, cujo campo de aplicação se alastra a cada dia. É indicado no tratamento de estresse, ansiedade, fobias, depressão, enxaquecas, hipertensão e arritmias cardíacas e também nos distúrbios de aprendizagem e dependência a drogas.

A seguir você vai ler trechos de uma entrevista inédita do especialista José Roberto Leite, professor e pesquisador do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo José Roberto, a eficiência do biofeedback torna evidente que a medicina  será, a partir de agora, cada vez mais comportamental e preventiva.

 

Os métodos invasivos da medicina têm sido criticados por pacientes e por muitos médicos. A medicina comportamental é uma soluçãopara esse problema?

Apesar de observarmos um grande progresso na medicina, que pode ser atribuído ao avanço tecnológico, principalmente no que se refere ao diagnóstico, também observamos que os problemas de saúde que mais têm afetado o ser humano nos últimos tempos decorrem de problemas comportamentais. Neste sentido podemos mencionar a obesidade, a dependência de drogas,a hipertensão,os medos patológicos etc. Muitas vezes em função desses problemas o paciente apresenta limitações que dificultam ou até mesmo impedem que usufrua desses avanços. É o caso, por exemplo, do medo de procedimentos médicos. A medicina comportamental tem como um de seus objetivos, lidar com esses problemas que envolvam comportamentos.

 

Há quem considere os anos 90 como a "década do cérebro", tal o número de avanços científicos relativos ao funcionamento cerebral. O que isso significou para a medicina comportamental neste início de século?

Se considerarmos o elenco das principais técnicas da medicina comportamental, destacaríamos as técnicas de estados alterados de consciência como meditação, as técnicas de biofeedback e terapia cognitivo/comportamental como ferramentas poderosas na terapêutica médica, isto com amplo suporte na literatura científica.

Que novas terapias comportamentais são projetadas a partir de estudos atuais ou recentes?

Parafraseando Thomas Lord Horder , citação esta mencionada em um importante manual de medicina comportamental, "cada vez mais o médico do futuro terá um papel mais educacional. Lidará mais com a fisiologia e psicologia do paciente e menos com sua patologia". Se considerarmos o progresso que tem se obvservado na área de psiconeuroimunologia, podemos afirmar que num futuro próximo vamos dispor de recursos terapêuticos importantíssimos, fundamentados na relação mente/corpo.

Haverá, então, mais espaço para aplicação de técnicas como o biofeedback.

O biofeedback nada mais é que um instrumento que visa ensinar de forma didática o paciente a emitir uma resposta mais adequada ou adaptativa. Fundamenta-se no princípio de que uma resposta fisiológica pode ser condicionada ou modificada se houver um retorno de informação ao paciente, de forma visual ou auditiva,sobre os parâmetros dessa resposta. Como se trata de um processo de condicionamento de resposta, o resultado da eficácia pode ser constatada na medida em que o objetivo proposto foi atingido.

Em que tipos de doenças a aplicação do biofeedback é mais eficaz? 

As técnicas de biofeedback têm se mostrado úteis em várias áreas das ciências da saúde. Beneficiam-se da técnicas o pacientes com transtornos de ansiedade, casos de hipertensão essencial, insônia, síndrome de dependência de drogas, reabilitação neuromuscular etc.

Há estudos sobre a aplicação de biofeedback no controle da epilepsia. Quais os resultados obtidos até agora?

Alguns dados de literatura mencionam resultados positivos do uso de biofeedback em epilepsia. Entretanto esses dados devem ser considerados com certa cautela e mais estudos cientificamente controlados deveriam ser realizados com o uso dessa técnica para esses quadros.

Com o aperfeiçoamento das técnicas equipamentos de biofeedback será possível, no futuro, a aplicação da terapia enquanto as pessoas caminham, trabalham ou desenvolvem alguma atividade?

O desenvolvimento tecnológico no campo do biofeedback tem se mostrado surpreendente. Hoje dispomos de softwares impressionantes do ponto de vista motivacional. São verdadeiros jogos de videogames, com um visual surpreendente. Os sistemas computadorizados têm se miniaturizados de forma significativa e em pouco tempo creio que sistemas mais práticos deverão estar disponíveis para o público em geral. Isto já é quase que realidade nos Estados Unidos. Se considerarmos as diferentes modalidades, algumas são mais amigáveis e simples de serem executadas como a de eletromiografia ou temperatura. Outras dependem de um razoável formação técnica para sua execução, como as de neurofeedback.

Os exercícios tradicionais de concentração e meditação podem gerar efeitos terapêuticos iguais ou superiores aos do biofeedeback com maior praticidade e menor custo?

No que se refere a custos, as técnicas de meditação e relaxamento podem ser alternativas interessantes para substituir o biofeedback. Entretanto o fator motivacional que se percebe no biofeedback é um elemento que deve ser ressaltado.

Que achou da reportagem acima? Tem algo a dizer ao autor? 
Envie agora sua mensagem (cite o título da matéria) para o jornalista Jomar Morais:

jmorais@abril.com.br


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