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JM na ÍNDIA

 

 

Maio/2006

 

 

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Sob a árvore de Buda

Uma figueira sagrada e um templo milenar, cercado 
de jardins,  fazem do lugar onde nasceu o budismo 
uma das principais atrações da Índia

Texto e fotos por Jomar Morais


O Buda do Templo Mahabodhi

JM sob a figueira de Sidarta


Nos jardins do Mahabodhi

 

VÍDEO:

Clique Aqui e veja 
monges tibetanos entoando mantras junto à Arvore da Iluminação - a Bodhi Tree

O coro de vozes graves ecoa no meio da tarde e a cidadezinha empoeirada parece hipnotizada pela sinfonia. Om mani padme hum, Om mani padme hum (pronuncia-se Omêni-péme-um), repetem sem cessar milhares de monges sentados no chão, pernas cruzadas, ocupando os jardins em torno do  templo Mahabodhi. Suas vestes vinho e alaranjada, as cabeças raspadas, as bandeirinhas multicores penduradas em varais, os fiéis praticando prostrações, a fumaça e o cheiro de incenso espalhados pelos quatro cantos completam esse quadro de som e cores, quase etéreo, no lugar mais sagrado do budismo. Que sorte! Cheguei a Bodhgaya em um momento especial: o da cerimônia final da visita da Cagiupay Sangha, evento anual que reúne monges e exilados tibetanos – e, não raro, o próprio Dalai Lama – ao pé da Bodhi Tree, a figueira sob a qual o príncipe Sidarta meditou e alcançou a iluminação.

Entre novembro e fevereiro, Bodhgaya transborda de peregrinos e turistas, mas não perde o ar de vila pacata, onde se vende frutas em balaios no passeio central, sempre colorido pela presença de jovens monges, muitos vindos de outras cidades e países. Centenas de forasteiros chegam para receber aulas em monastérios alinhados na rua do templo ou para meditar junto a árvore histórica, atrás do santuário, eternamente engalanada de faixas e bandeiras coloridas trazidas por peregrinos. Ali, uma plataforma de cimento e uma imagem assinalam o lugar exato onde, há 2 500 anos, Buda mergulhou em profunda introspecção até entender a razão do sofrimento. E, no seu entorno, um conjunto de placas em mármore lembram os passos posteriores de Sidarta, numa espécie de via sacra sem cruz.

Apesar da multidão, o ambiente transpira paz e tranquilidade. No Mahabodhi - na verdade uma estupa (relicário ou tumba budista) cercada de dezenas de outras menores - uma enorme imagem dourada de Buda é venerada ao mesmo tempo por budistas e hinduístas. Para os hindus, Sidarta foi uma encarnação de Vishnu, a mesma divindade manifestada em Rama e Krishna. É possível distinguí-los pelos ruídos e posturas durante as cerimônias, os budistas sempre mais parcimoniosos. E, às vezes, pela encrencas no comitê de administração do templo, onde os hinduístas são maioria. Nem isso nem o fato de que a figueira cultuada agora não é a mesma que acolheu o Buda meditante, destruída pelo imperador Ashoka antes de sua conversão ao budismo, tiram o brilho desse lugar simbólico e especial. A árvore e o Mahabodi, erguido no século III pelo mesmo Ashoka, arrependido, e depois dilapidado e reconstruído no século XIX, fazem parte do patrimônio cultural da humanidade, protegido pela Unesco. Como no passado, eles continuam despertando olhares devotos ou admiradores.

ONDE É MELHOR

FICAR
O Hotel Shiva [no calçadão em frente ao Mahabodhi Temple, 220-0425], é point de turistas ocidentais. Tem apartamentos confortáveis, restaurante e lan house. Diárias desde Rs 900. No Root Institute for Wisdom Culture [www.rootinstitute.com, 220-0714] alunos do curso de meditação, com duração de 8 dias, pagam Rs 3 800 pelo pacote que inclui aulas, acomodação em dormitório e alimentação.

COMER
Existem pequenos restaurantes e cafés que servem pratos indianos e ocidentais, quase sempre vegetarianos. Entre novembro e fevereiro, quando é grande o fluxo de peregrinos tibetanos, alguns cafés servem especialidades do Tibete.

FAZER
O melhor programa é percorrer o complexo do templo Mahabodhi, experimentar a paz de seus jardins, apreciar suas estupas e budas e, claro, a Bodhi Tree. Não é pouca coisa. É roteiro para uma manhã ou tarde. Entrada: Rs 20


Reverência e meditação 
no jardim do Mahabodhi

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