Ano
V // Nº 290
Texto
publicado na edição de 02 de maio de 2000 da
revista Exame.
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A
queridinha high-tech
Campinas - 8ª melhor cidade
para negócios
Por JOMAR MORAIS, de Campinas
A americana Lucent
Technologies, maior fornecedora mundial de
infra-estrutura para telecomunicações, chegou
ao Brasil há pouco mais de três anos. Trazia
100 milhões de dólares para investir e elegeu
uma das colinas de Campinas para erguer o
edifício espelhado, de linhas modernas, onde
funciona sua fábrica. Na mesma época, a
canadense Nortel Networks, concorrente da Lucent,
decidiu apostar mais no mercado brasileiro e não
teve dúvida ao selecionar o local de sua nova
unidade: escolheu Campinas. Coincidência? Não.
Planejamento. Oitava melhor cidade do país para
negócios, Campinas virou uma espécie de
queridinha da indústria de alta tecnologia, que
tem aportado em massa no município ou em seu
entorno, nos últimos cinco anos, motivada pelas
inúmeras vantagens comparativas e competitivas
ali existentes.
Os
sobrenome high-tech são a expressão maior do
crescimento em Campinas. No ano passado, 37 novas
empresas de porte iniciaram a implantação em
Campinas. Outras 17 anunciaram ampliações,
inclusive a Nortel e a Lucent. "Investimos
50 milhões de dólares na construção da
primeira fábrica de cabos ópticos do Brasil,
que começa a operar no próximo semestre",
diz Virgílio Martins, diretor de Relações
Públicas da Lucent. Todos os projetos somam mais
de 1 bilhão de dólares que chegaram à cidade
sem que fosse necessário qualquer expediente de
guerra fiscal. Afinal, lembra o consultor
Antônio Cordeiro, da Simonsen Associados,
somente municípios que possuem menos vantagens
comparativas e menos infra-estrutura são
forçados a oferecer contrapartidas às empresas.
Computados os pequenos municípios vizinhos, a
região metropolitana campinense atraiu mais de 4
bilhões de dólares, 17% do bolo de
investimentos privados no estado de São Paulo em
1999.
As
vantagens de Campinas são muitas e óbvias. Que
empresa, principalmente do setor de tecnologia,
não gostaria de se instalar junto a centros de
excelência em ensino e pesquisa, formadores de
profissionais de primeira linha? Pois Campinas,
uma cidade de apenas 950 000 habitantes, tem sete
universidades e centros de pesquisa, entre eles a
Unicamp e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento,
CPqD, da antiga Telebrás. Transformado em
fundação, o CPqD acaba de abrir em San Jose, na
Califórnia, a CPqD Technologies, empresa
destinada a vender tecnologia brasileira em
telecomunicações nos Estados Unidos. Há mais.
Campinas está a somente 100 quilômetros de
distância de São Paulo, maior mercado
consumidor e maior centro financeiro do país, e
exibe outros diferenciais logísticos nada
desprezíveis. A cidade, portão de entrada do
terceiro mercado do país - o interior paulista
-, é cortada por sete rodovias e duas ferrovias,
além de dispor do aeroporto de Viracopos, cujo
movimento de cargas praticamente rivaliza com o
de Guarulhos, que serve à capital. Como se não
bastasse, apesar da expansão industrial dos
últimos tempos, a cidade conserva ainda ar puro
e um clima bucólico em suas muitas praças e
parques - outro fator de atração de
investimentos.
Tanto
dinheiro novo tem irrigado empreendimentos
arrojados também no setor de serviços. Nas
imediações do entroncamento das rodovias
Anhanguera, Bandeirantes e Dom Pedro II, o grupo
DPaschoal está construindo um condomínio
empresarial, o Techno Park, que deve abrigar numa
mesma área call-centers, escritórios, centros
de distribuição e unidades de produção de 60
empresas de alta tecnologia e até hotéis para
executivos. Nos próximos cinco anos, segundo
José Luiz Guazzelli, gerente do projeto, ali
serão investidos 100 milhões de reais. No
segmento hoteleiro, um dos que mais crescem com o
turismo de negócios, Campinas ganhou no ano
passado o primeiro resort urbano do país, o
Royal Palm Plaza. Em poucos meses, porém, os 230
apartamentos e o centro de convenções do hotel
se tornaram insuficientes para atender à
procura, forçando o Royal a construir, a partir
deste mês, mais 130 apartamentos. Outros dois
hotéis estão sendo construídos pela rede
francesa Accor e a Setin Empreendimentos. E a
Cyrela, associada ao grupo argentino Irsa,
investe 20 milhões de reais em flats executivos
que serão administrados pela rede espanhola
Meliá.
Com um potencial de consumo por habitante de 4
524 dólares - maior que o da capital -, Campinas
também tem sido uma boa oportunidade para
empreendimentos imobiliários voltados para a
classe média, como os condomínios fechados, e
as administradoras de shopping centers. O grupo
Sonae anunciou que vai construir na cidade um dos
maiores centros de compra do país.
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