1ª PÁGINA COLUNISTAS JM na SUPER JM na EXAME JM na VIAGEM

ISTO É NATAL

ROTEIRO

EMP./TALENTOS

REDE AMIGOS

FALE COM A GENTE

 

Ano VIII / Nº 317

Texto publicado na revista Super de junho de 2002


Leia mais:

O desenho inteligente

Uma evolução, 
várias versões

 

O desenho inteligente - complemento

A Bíblia como ela é

Por Jomar Morais    

A trajetória da teoria da evolução nos Estados Unidos nunca foi tranqüila. Nas primeiras décadas do século XX, metodistas, batistas e presbiterianos realizaram campanhas anti-evolucionistas em mais de 20 Estados e conseguiram banir o ensino da teoria de Charles Darwin, nos anos 20, em quatro Estados – Oklahoma, Tennessee, Mississippi e Arkansas. A inspiração para essa cruzada era conter o avanço de uma teoria que favorecia o ateísmo e o materialismo. Mas, nessa época, havia ainda outras motivações. William Bryan, um dos líderes da campanha – e também político pacifista, alinhado com causas avançadas como o voto feminino – temia que a idéia de seleção natural incentivasse uma "cultura da crueldade" na sociedade, com a discriminação dos mais fracos. O próprio Darwin receava o uso político da sua teoria e hesitou por mais de 20 anos antes de torná-la pública.

Intensas batalhas judiciais foram travadas e em diversas ocasiões os criacionistas conseguiram barrar, temporariamente, o ensino da teoria evolucionista nas escolas de Estados do sul, mais conservadores. A partir dos anos 60, uma nova geração de criacionistas adotou a estratégia de pleitear tempo igual nas escolas para Darwin e para a Bíblia, sendo montado um corpo doutrinário para o que se chamou de ciência-criação, em oposição à ciência da evolução. Foram igualmente criadas fundações e institutos que incentivam e patrocinam pesquisas destinadas a comprovar a narrativa do Gênesis – da criação do homem ao dilúvio de Noé – e uma maciça ação de marketing passou a incluir até excursões geológicas nas quais jovens e crianças garimpam no solo americano indícios do dilúvio global.

Na década passada, os criacionistas voltaram a obter vitórias expressivas – e temporárias – em alguns Estados americanos. O caso mais destacado foi o do Kansas, onde o Conselho Estadual de Educação aboliu do currículo escolar a teoria evolucionista, em 1999. A decisão foi depois derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Não se trata de gestos solitários, num país em que o fundamentalismo religioso é bastante influente. Mais de 50% dos americanos se dizem favoráveis ao ensino das teorias criacionistas nas escolas ao lado da teoria evolucionista. Mas isso pode ser pouco para os criacionistas radicais. Para eles, a questão da origem do mundo e da vida resume-se a seis premissas indiscutíveis:

• Universo, energia e vida foram criados do nada – por Deus.

• Organismos complexos não podem surgir de formas simples de vida, por meio de mutações aleatórias.

• Os seres vivos (plantas e animais) podem variar apenas dentro dos limites fixados para cada espécie.

• Homens e macacos têm ancestrais distintos.

• A geologia terrestre pode ser explicada pelo catastrofismo, a começar pelo dilúvio global registrado na Bíblia.

• A Terra é jovem – tem menos de 10 000 anos e não os 4,5 bilhões de anos estimados pela ciência.

Que achou da reportagem acima? Tem algo a dizer ao autor? 
Envie agora sua mensagem (cite o título da matéria) para o jornalista Jomar Morais:

jmorais@abril.com.br


1ª PÁGINA COLUNISTAS JM na SUPER JM na EXAME JM na VIAGEM

ISTO É NATAL

ROTEIRO

EMP./TALENTOS

REDE AMIGOS

FALE COM A GENTE