
Ano
V // Nº 280
Texto
publicado na edição de dezembro de 1999 da
revista Você s.a.
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O
emprego que eu precisava
De
norte a sul, o mapa das oportunidades de trabalho
começa a ser redesenhado no Brasil. As melhores
vagas talvez não estejam mais em São Paulo e no
Rio

Por
JOMAR MORAIS, de São
Paulo Fotos: Luis Morais
Não há um só dia em que
os jornais não tragam a palavra
"desemprego", geralmente associada a
números alarmantes. Em outubro, com base em
pesquisa do IBGE, noticiou-se que 7,7% da
população economicamente ativa do país (ou
cerca de 5 milhões de pessoas) estava à procura
de emprego. É inegável que há uma multidão
para quem as portas se recusam a abrir. Mas
também é verdade que, ao menos para uma
determinada parcela da população, esses
números terríveis encobrem uma boa notícia:
há muitas, e ótimas, vagas que estão à espera
dos profissionais certos para ser preenchidas. É
um paradoxo. Ao mesmo tempo em que as filas de
desempregados engrossam, milhares de vagas estão
pipocando, de norte a sul, em empresas novas e em
companhias em expansão. Essas empresas não
estão em busca de pessoas para desempenhar
cargos considerados modestos. Elas querem, e não
encontram, profissionais qualificados. Esse
fenômeno deve continuar ao longo do próximo
ano. Isso pode representar uma grande
oportunidade para você.
Por
mais inacreditável que pareça, há mesmo
empregos sobrando no Brasil - e quem está
preparado pode disputá-los com relativa
facilidade. Não dá para precisar números, mas
um cálculo do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada, o Ipea, indica que quase 2 milhões de
vagas foram criados em 1999, boa parte ainda à
espera de ocupantes. A diferença é que essas
oportunidades não estão mais concentradas em
antigos centros industriais, como São Paulo, Rio
de Janeiro e Belo Horizonte - e não se trata de
empregos talhados para o trabalhador braçal ou o
especialista estritamente limitado à sua área.
O mapa do emprego foi redesenhado, em sua forma e
conteúdo. Uma pesquisa do economista João
Sabóia, da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, mostrou que o novo mapa do emprego no
Brasil tem pelo menos 66 pontos luminosos,
distribuídos em pelo menos dez estados. É claro
que São Paulo, Rio e Minas continuam sendo
grandes pólos de empregos, mas hoje eles estão
muito longe de ser os únicos - e, talvez, já
nem sejam os melhores. Nos novos bolsões de
prosperidade, as empresas brigam pelos melhores
profissionais. Acenam, na pior das hipóteses,
com salários acima de 2 000 reais.
Isso ocorre, por exemplo, em
São José dos Campos e Sorocaba, no interior
paulista, em algumas cidades de Minas Gerais e do
Rio Grande do Sul, e nos três estados que
lideram a economia nordestina: Bahia, Pernambuco
e Ceará. Seja onde for, o fato é que há um
novo perfil profissional, estabelecido pelo
mercado, que dita quem deve entrar ou permanecer
em casa. Para entender o que se passa, reflita um
pouco sobre estes três casos:
1) Em
outubro do ano passado, a paulista Margarete
Ercolim, 30 anos, foi demitida do cargo de
secretária executiva da Fisher Rosemount,
metalúrgica americana instalada em Sorocaba, e
ficou sem um salário que, segundo diz, lhe
permitia viver sem dificuldades. Solteira,
fluente em inglês, espanhol e alemão, ela
chegou a receber oferta para trabalhar em São
Paulo, mas não aceitou na hora. Queria parar um
pouco para pensar. Pegou então um avião para
Fortaleza e durante 30 dias curtiu sol e mar. Ao
final da temporada, espalhou seu currículo por
empresas e agências de emprego locais. Há
quatro meses, foi contratada como secretária
executiva da diretoria da Vésper, empresa de
telecomunicações no Ceará. Hoje ela faz parte
da equipe que está implantando a companhia
telefônica no estado. "Aqui, perde-se um
pouco em salário, mas ganha-se muito em
qualidade de vida", afirma.
2) O
gaúcho Alberto Blanco, 31 anos, é formado em
processamento de dados, mas tem uma folha de
serviços diversificada. Já passou por empresas
como Citibank e Johnson & Johnson e, desde
que voltou de um MBA na Universidade da Carolina
do Norte, nos Estados Unidos, tornou-se gerente
de marketing da Brahma no Rio de Janeiro. Há
cerca de um ano, um headhunter apresentou-lhe o
desafio: "Quer ser diretor? Mas para isso
você vai ter de trocar de empresa e de
cidade". Alberto aceitou e foi ser diretor
de marketing da Telemig Celular, em Belo
Horizonte. "As oportunidades fora do eixo
Rio--São Paulo são muito maiores para o bom
profissional", afirma.
3) O
mineiro Renato Alves Guimarães tem somente 24
anos. Formou-se há pouco em engenharia elétrica
pela UFMG. Trabalhou na área de comunicação
móvel da Promon Eletrônica e, no ano passado,
foi seduzido por um anúncio da Telemar
convocando jovens para seu programa de trainees.
Renato concorreu com 800 candidatos, faturou uma
das dez vagas e há dois meses ganhou um emprego
para valer - longe de casa. Ele agora mora em
Fortaleza e, como gerente de produto da área de
comunicação de dados, percorre alguns estados
do Norte e Nordeste para descobrir maneiras de
aperfeiçoar os serviços da empresa e também
criar novos produtos. Que tal a experiência?
"Viver numa cultura diferente da sua às
vezes choca, mas é uma experiência que
enriquece e ajuda no crescimento
profissional", afirma.
Não
é mera coincidência que os personagens dessas
histórias tenham formação e experiências
distintas, mas pertençam agora a um mesmo setor
de atividade: telecomunicações. A passagem de
uma sociedade centrada na produção de bens
materiais para outra baseada em serviços e
informação está mudando a natureza do trabalho
e, em conseqüência, a oferta de empregos. No
mundo e no Brasil, é no campo das comunicações
que mais surgem postos de trabalho. Até 2003,
pelo menos, as companhias telefônicas devem
investir quase 60 bilhões de dólares na
ampliação e melhoria dos serviços. Para tanto,
será necessário preencher entre 100 000 e 120
000 vagas, sem falar nos empregos indiretos.
Puxado pelas comunicações, o setor de serviços
também acena com oportunidades na área de
atendimento a clientes, como as companhias de
telemarketing, os call centers de empresas e,
dentro de pouco tempo, os sites de comércio
eletrônico que começam a explodir na Internet
brasileira.
Não
é que não existam mais empregos nas áreas
tradicionais. Mas igualmente aí aconteceram
mudanças marcantes. Para reduzir custos e ganhar
competitividade, as indústrias estão cada vez
mais trocando os grandes centros por regiões
que, antes conhecidas como exportadoras de
mão-de-obra, agora atraem empreendimentos com
incentivos fiscais e outras vantagens
competitivas. O vazio deixado pelas chaminés,
nos velhos pólos industriais, vai sendo ocupado
por companhias de tecnologia de ponta e de
serviços avançados. Esse cenário favorece quem
é qualificado, gosta de desafios e está
disposto a mudar de um grande centro para uma
cidade menor, para o interior ou litoral.
Quem fez as malas e migrou
para o interior do estado ou para outras regiões
do país não tem do que se queixar. Isso vale
sobretudo para quem pode encaixar seu talento em
áreas como telecomunicações ou marketing.
Esses profissionais estão em ascensão. A mesma
regra vale para jovens recém-saídos de boas
universidades que têm um perfil versátil. Eles
estão sendo buscados a laço por empresas que
dependem de equipes de alto nível para atingir
suas metas nos próximos anos. "A carência
de profissionais qualificados é imensa",
diz Fernando Marques, diretor de RH da Lucent
Technologies, líder mundial na indústria de
comunicação, cujo quartel-general no Brasil
fica em Campinas. "Para encontrá-los,
estamos sempre rastreando o celeiro dos
concorrentes e as escolas."
A
Lucent tem olheiros permanentes nos cursos de
engenharia da Unicamp e da PUC do Rio de Janeiro.
Costuma enviar estudantes e professores para
estágios no Bell Labs, o famoso centro de
pesquisa fundado por Graham Bell, agora
pertencente à Lucent, local de trabalho de dez
prêmios Nobel. A Lucent já transformou 80
estagiários em funcionários e recolheu nos
cursos de MBA os melhores alunos para seu
programa de trainees nos Estados Unidos. Mas isso
ainda não é suficiente para suprir as
necessidades da empresa, que neste ano fez 2,5
contratações por dia e deve abrir mais 400
vagas em 2000. O caso da Lucent simboliza as
oportunidades que estão surgindo fora dos
grandes centros. Espelha também uma chance de
ganhar, em alguns casos, até 30% mais. Mas,
mesmo com salários menos polpudos, existem
centenas de bons empregos à espera de quem
esteja disposto a mudar de cidade.
Neste
momento, 60 empresas de softwares de Fortaleza,
entre elas a CPM e a Microsiga, precisam de 150
analistas de sistemas em programas de gestão
empresarial. Quem aparecer por lá e provar
competência terá emprego na hora e um salário
acima de 3 000 reais. Em Porto Alegre, a
operadora de telefonia móvel Telet ainda tem 90
postos nas áreas de marketing, finanças e
vendas para serem preenchidos nos próximos
meses. A GM, cuja fábrica gaúcha começa a
funcionar em meados do próximo ano, ainda
mantém disponíveis 2 000 dos 2 600 empregos
diretos previstos. Também lá a Dell Computers,
terceira maior fabricante de computadores do
mundo, que iniciou produção na cidade em
novembro, promete abrir novas vagas até 2001
para profissionais com nível superior e
fluência em inglês (para recrutar apenas gente
qualificada, a Dell colocou anúncios escritos em
inglês nos jornais do Sul do país). Em Minas
Gerais, a Fiat está concluindo uma nova fábrica
de motores, para a qual vai precisar de 150
engenheiros, técnicos e gerentes. E está
montando a Iveco, que produzirá carros
comerciais médios e terá 60 cargos de nível
superior entre os 1 000 empregos anunciados.
Isso
é uma amostra. Para quem perdeu o emprego em sua
cidade e acha que entrou num beco sem saída, eis
aí uma chance. Milhares de pessoas conseguiram
fazer decolar suas carreiras longe de casa em
condições, no mínimo, razoáveis. Muitos
afirmam que estão melhor agora do que
anteriormente, seja porque recebem salários
vantajosos, seja porque ganharam mais qualidade
de vida em cidades tranqüilas. Toda essa gente
tem em comum pelo menos seis características que
lhe garantem um lugar no mercado:
São homens e mulheres audaciosos e que gostam de
desafios;
Conhecem profundamente suas
especialidades, mas são suficientemente
genéricos para relacioná-las com outras áreas
de conhecimento;
Demonstram equilíbrio emocional e
habilidade para trabalhar em times;
São multifuncionais e estão sempre
prontos a assumir novas tarefas;
Dominam, no mínimo, um idioma estrangeiro
- no caso, o inglês;
Têm intimidade com a informática e são
ágeis na utilização do chamado pacote Office
(processador de texto, planilhas, banco de dados
e navegação na Internet).
Por
apresentar esse perfil, o técnico em
processamento de dados Marcos Davidiuk, 30 anos,
acabou dando um salto em sua carreira em dezembro
passado. Marcos coordenava o suporte técnico da
Nortel, em São Paulo, quando um headhunter lhe
propôs assumir a gerência regional de
informática da Lucent, cargo subordinado
diretamente aos Estados Unidos. O técnico largou
o emprego antigo e a cadeira de professor na
Faculdade Bandeirante, chamou a mulher, na época
grávida, e foi embora para Campinas. Seu
salário, de acordo com ele, seria 30% maior.
Havia também uma boa oportunidade de crescimento
profissional.
O que
fez a Lucent correr atrás de Marcos Davidiuk?
Sua competência técnica, claro, mas também sua
versatilidade. Paulistano, ele cursou
processamento de dados na Fundação Bradesco, em
Osasco, mas não se acomodou ao primeiro diploma.
Enriqueceu o currículo com o curso de
publicidade e propaganda, além de uma
pós-graduação em administração. Trabalhou
também na Rockwell e na Nortel, concorrente da
Lucent.
Marcos conquistou um dos 25 000 empregos surgidos
em Campinas nos últimos dois anos, após a
chegada de 32 empresas e seu pacote de 1,2
bilhão de dólares em investimentos. (Detalhe:
75% dos dólares aplicados na cidade foram
levados por companhias de telecomunicações e
informática.) Outros 6,5 bilhões de dólares
contribuíram para erguer novas indústrias e
ampliar antigos empreendimentos em 22 municípios
vizinhos, com considerável participação de
empresas high-tech - entre elas a Motorola. Em
São José dos Campos, a 100 quilômetros de São
Paulo, em apenas dois anos surgiram 12 250 novos
empregos, resultado de investimento de 1,8
bilhão de dólares realizado por 42 empresas.
Um
terço dessas vagas foi aberto por indústrias e
prestadoras de serviços da área de
telecomunicações. Outras 2 000 vagas
correspondem a empregos que a Embraer está
criando gradualmente, à medida que se ocupa dos
18 bilhões de dólares em pedidos de novos
aviões. Em Sorocaba, a 90 quilômetros de São
Paulo, indústrias tradicionais que se
transferiram da capital e novas companhias - como
a montadora de pequenos aviões Planestate, a
manufatureira de produtos eletrônicos
Flextronics e a fábrica de geradores de energia
eólica Wobben - acenam com 6 000 empregos, parte
deles para engenheiros, analistas e técnicos.
Até agora não conseguiram encontrar as pessoas
certas.
Se isso acontece em
Campinas, cujos sete institutos de pesquisa e
cujas universidades estão entre os maiores
formadores de profissionais de alto nível do
país, imagine o que ocorre em regiões com menos
cultura empresarial e produção acadêmica. Na
Bahia, o complexo da fábrica de automóveis da
Ford em Camaçari vai empregar 5 000 pessoas a
partir de setembro de 2001, mas antes mesmo de
assentar o primeiro tijolo a montadora já está
cuidando de um assunto crucial: uma equipe de
nove analistas de recursos humanos foi
encarregada de buscar dentro e fora da Bahia
profissionais para cargos técnicos e postos em
vendas e marketing. Nos últimos três anos, 60
empresas de porte se instalaram na Bahia, ao
custo de 3,5 bilhões de dólares, e todas
enfrentaram alguma dificuldade para recrutar
pessoal qualificado.
"Em
outubro tínhamos 100 vagas de gerentes,
supervisores, compradores técnicos e
secretárias bilíngües em várias
empresas", diz Sonia Aparecida Costa,
diretora da agência de recursos humanos Ativa.
"Só uma parte dessas posições foi
preenchida." Psicóloga com pós-graduação
em marketing, ex-consultora de RH do Grupo Ultra
em São Paulo, Sonia chegou à Bahia há oito
anos e, em vez de emprego, decidiu montar seu
próprio negócio de olho no crescimento da
economia local. Entre seus clientes tem hoje a
Monsanto, empresa que está implantando uma
fábrica de fertilizantes e que também perambula
à procura de profissionais à altura de sua
tecnologia.
Um
dos grandes celeiros de oportunidades na Bahia é
o pólo de informática de Ilhéus, criado para
tirar a região do marasmo em que mergulhou com a
decadência do cacau. Lá estão 13 montadoras de
microcomputadores, todas procurando engenheiros e
técnicos. Os anúncios de emprego colocados
pelas empresas do pólo em jornais de Salvador
geralmente não têm resposta. A maior delas, a
Bahiatec, já é o segundo fabricante de micros
do país e também o maior importador de
profissionais de São Paulo, Rio e Minas. Em
setembro, o gerente de engenharia industrial da
Bahiatec, Hélio Okoshi, selecionou em São Paulo
15 jovens, entre 21 e 28 anos, que até então
trabalhavam na Itautec, Sony e Osram. O problema
é que, mesmo ganhando salários até 50% maiores
que nos empregos anteriores, muitos não se
adaptam à vida pacata de Ilhéus e acabam
retornando.
É
compreensível que jovens acostumados à rotina
da metrópole se sintam desconfortáveis numa
cidade onde não há shoppings, cinemas e boates,
como é o caso de Ilhéus. Mas Valéria Mota,
coordenadora de seleção da Marpe Recursos
Humanos, de Fortaleza, alerta para o fato de que
mesmo os que optam pelas capitais nordestinas às
vezes chegam com uma visão excessivamente
romântica da vida que os espera. "Nem tudo
é tão barato quanto eles imaginam, nem os
salários são tão altos quanto desejam",
diz Valéria.
Em
Fortaleza, paga-se nas funções mais altas, em
média, 30% menos que em São Paulo, situação
que se repete em Recife e Salvador. A exceção
é quando o funcionário chega junto com a
empresa. O grupo Grendene, que fechou sua linha
de produção no Rio Grande do Sul e abriu 12 000
postos de trabalho no Ceará, levou 4 000
gaúchos para Sobral e outras cidades do sertão.
Em todo o estado, 212 empresas importadas do
Sudeste criaram 48 000 empregos, e outras 11 000
vagas deverão surgir no próximo ano em 73
empresas em implantação.
"Dizem
que o mercado está recessivo, mas não está. O
que houve foi uma mudança nas qualificações
exigidas", afirma a consultora Júlia de
Castro, da JCR & Dellois, de Recife. Pergunte
ao diretor de marketing do Instituto do Software
do Ceará, José Luiz Pires - ele próprio
paulista, ex-IBM, que retomou a carreira no
Nordeste -, o que, além de analistas, as
empresas buscam, e ele responderá na bucha:
gerentes de marketing com experiência em
informática e telecomunicações. Eles valem
ouro na região e podem conquistar salários
acima de 5 000 reais. Estão em alta também os
especialistas em gestão de pessoas.
O
atual gerente de recursos humanos da Texaco no
Nordeste, Roberto Galdino de Moraes, comprovou
isso em dois anos. Ele e a mulher, Ana Maria,
decidiram deixar São Paulo em 1997, em busca de
mais segurança e qualidade de vida para o filho
Leonardo, recém-nascido. Roberto (ex-Cosipa,
Firestone e Sharp) estava empregado na Brasmotor,
mas aceitou ganhar um pouco menos no Grupo João
Santos só para ter o direito de morar em Recife.
Psicólogo, com pós-graduação em
administração de RH e estágio no Japão, ele
não teve dificuldade para recuperar o antigo
padrão salarial ao ser chamado pela Texaco.
A
busca frenética por quem faz diferença também
tem levado muitas companhias a correr atrás de
profissionais que ainda há pouco foram
dispensados de suas equipes. A Embraer, em São
José dos Campos, é uma delas. Há dois anos, a
empresa, em crise, demitiu mais da metade dos 8
000 funcionários. Agora, vai buscá-los de volta
em outras empresas. Na leva de recontratados
está o engenheiro aeronáutico Paulo
Lourenção, 45 anos, formado pelo ITA, despedido
sob a justificativa de que o salário de 4 000
reais, à época, era alto demais. Ele foi
controlador de satélite no Inpe, fez controle de
qualidade na Avibrás e estava montando um centro
de pesquisa e desenvolvimento na Embraer quando
entrou na linha de tiro. Paulo é um engenheiro
com habilidades de negociador, ou seja, atua
também na criação de parcerias e no
acompanhamento de projetos. De volta à Embraer,
está ajudando a empresa a montar novas equipes
com profissionais de ponta.
Mesmo
para quem não tem intenção de mudar de cidade,
também é um fato que os bons empregos sempre
existirão nos grandes centros. No
quartel-general da Vésper São Paulo, a
concorrente da Telefônica, foi instalado um
pequeno sino. Desde que a Vésper começou a
contratar, em outubro, o badalo é acionado pelo
vice-presidente de RH, Fernando Antonio Silva,
sempre que um novo funcionário é admitido. Por
enquanto, o sino da Vésper tem soado sete vezes
ao dia. Até 2001, no entanto, as badaladas se
repetirão 2 000 vezes para anunciar,
principalmente, a chegada de profissionais de
marketing e atendimento. Se a moda pegasse e cada
empresa badalasse a abertura de uma nova vaga,
com certeza muito mais gente já teria percebido
que, para quem tem qualificação, o emprego é
algo que pode estar mais perto do que os jornais
dão a entender.
Uma vida diferente
Se a
simples troca de empresa, numa mesma cidade,
exige do profissional um esforço de adaptação
a uma outra cultura e a regras diferentes,
imagine o que é desembarcar numa cidade ou
região estranha. Para se adaptar, é preciso ter
uma boa dose de paciência, humildade e
disposição para aprender. A seguir, alguns
pontos que você deve levar em conta.
Não critique a cultura local. Isso é
desagradável em qualquer lugar do mundo, mas em
alguns locais do interior do país pode ter
conseqüências mais graves para o intolerante.
Assuma uma postura de aprendizagem, mesmo
que esteja num nível mais elevado. A humildade
ajuda a abrir portas e a estabelecer sua rede de
relacionamentos.
Procure conhecer o máximo sobre a
economia e a cultura regionais.
Não menospreze os profissionais locais.
Alguns "estrangeiros" insistem em
repetir o bê-á-bá em palestras e cursos nas
pequenas cidades e acabam arranhando a própria
reputação profissional. Estamos num mundo que
tem a Internet.
Não se esqueça da educação continuada.
Você deve atualizar-se sempre.
Invista na formação de uma ótima rede
de contatos. Isso vale em qualquer lugar, mas
principalmente no Nordeste, onde a informação
"boca a boca" tem um peso
considerável.
Usufrua das boas coisas de sua nova
cidade. Foque na qualidade de vida.
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*Colaboraram: José Maria Furtado e Suzana
Naiditch
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