1ª PÁGINA JM REPÓRTER BLOG DO JM QUEM É JM COLUNISTAS

PORTAL PLANETA

PSICOLOGIA

EMP./TALENTOS

DIREITO de FAMÍLIA

FALE COM A GENTE

 

Ano X
 Nº 339

 

Texto especial para o Planeta Jota

Junho 2004

 


Outras reportagens

 

O Nordeste que poucos conhecem - I

Viagem à pré-história

A visita ao Lajedo de Soledade revela o mundo de nossos ancestrais numa aventura divertida em pleno sertão potiguar

Por Jomar Morais 



Inscrições rupestres em caverna do lajedo: recado
de 10 000 anos

Imagine. Você está em Natal há uma semana, já curtiu praias encantadoras, conheceu dunas e lagoas, divertiu-se em piscinas oceânicas mas agora adoraria fazer algo diferente. Se é assim, que tal uma viagem no tempo, um mergulho no passado milhões de anos atrás? A oportunidade desse passeio pela pré-história existe para quem tem espírito aventureiro e se dispõe a cruzar a caatinga rumo a um dos sítios arqueológicos mais interessantes do sertão nordestino: o Lajedo de Soledade.

O local fica em Apodi, a 380 quilômetros  de Natal e a 75 quilômetros de Mossoró, a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte. Trata-se de um imenso campo rochoso, repleto de pequenas cavernas e canions, onde tribos de índios que ali passaram, em busca de água e abrigo, esculpiram na pedra registros de um mundo inóspito e selvagem. Para se chegar a essa espécie de museu a céu aberto, a partir de Natal, é preciso rodar durante quatro horas em estrada asfaltada em boas condições, exceto num trecho de 18 quilômetros entre Mossoró e Apodi, prejudicado por buracos.

As surpresas surgem a cada passo. As trilhas do lajedo guardam fósseis de animais pré-históricos, gravuras e inscrições rupestres feitas há cerca de 10 000 anos. Por toda parte, enormes rochas calcárias, de cores escuras, evocam um tempo ainda mais remoto, quando ali nem sequer havia sertão, mas apenas um mar raso, povoado de moluscos. O oceano começou a recuar há 90 milhões anos.

As gravuras vermelhas são a grande atração dessa aventura. Os antigos brasileiros das cavernas usaram uma mistura de óxido de ferro e gorduras vegetais para representar na pedra a flora, a fauna e o cotidiano de sua época. Boa parte das figuras mostram araras, garças, centopéias, órgãos genitais humanos e o carimbo de mãos adultas e infantis. Outros desenhos permanecem incógnitos e alguns sugerem rituais religiosos. Riscos ordenados sobre rochas lisas revelam que, no período paleolítico – quando o homem modelou as primeiras ferramentas e armas em pedra lascada -, era assim que os nossos ancestrais faziam para calcular o patrimônio, o resultado da caça e até as conquistas amorosas.

Aventura e emoção

Visitar o Lajedo não é tão simples quanto render culto à preguiça na enseada de Ponta Negra, em Natal, ou contemplar golfinhos no mar azul da Pipa, no litoral sul potiguar. Prepare-se. A região é árida e o calor pode chegar a 45 graus no início da tarde. O melhor é chegar nas primeiras horas da manhã, quando a temperatura oscila em torno dos 27 graus. Leve protetor solar na bagagem, mas lembre-se de que só isso não basta para proteger a pele do sol tórrido. Use roupas leves e chapéu de abas largas, tipo  “sombrero” mexicano. Também não se deve esquecer a garrafa de água mineral à tiracolo. A sede é inevitável no percurso das trilhas, algo que pode durar até duas horas. Sobretudo, é necessária uma razoável reserva de energia para subir e descer escarpas, o que torna o programa inadequado para pessoas idosas e crianças pequenas.

Ainda assim, o Lajedo de Soledade é uma opção quase irresistível para quem se interessa pelo passado do planeta, curte aventuras ou simplesmente admira paisagens exóticas. Que o digam os suecos, noruegueses e dinarmaqueses que periodicamente desembarcam por lá, ávidos para documentar vestígios de populações remotas. “Eles se interessam por tudo, olham cada detalhe com muita atenção”, diz Pedro Holanda, um jovem artesão nativo que reproduz peças pré-históricas em pedra calcária e nas horas vagas atua como guia turístico. Os gringos, aliás, se sentem tão seduzidos pela paisagem sertaneja – o oposto de seus países frios e úmidos – que após chegarem a Natal, em vôos fretados, costumam usar metade de seu tempo em roteiros interioranos que só aos poucos vão sendo descobertos pelos turistas brasileiros.

O sítio do Lajedo ocupa uma área de 127 hectares, mas só 9 hectares estão preservados. Nas três áreas abertas à visitação, existem 55 gravuras e inscrições rupestres catalogadas, além de fósseis, principalmente de preguiças-gigantes. No povoado de casinhas coloridas, as pessoas se debruçam nas janelas para ver o tempo passar. Em algumas delas pode-se encontrar sertanejos como Antonio Manoel da Costa, o  “Toninho Broaca”, de 67 anos, que divertem visitantes contando “causos” da época em que o cangaceiro Lampião perambulava pela caatinga. “Há meses em que recebemos até 3 000 turistas”, diz Maria Auxiliadora Silva Maia, presidente da Fundação Amigos do Lajedo de Soledade.  

A caminho do Lajedo, pela BR- 304, pode-se apreciar o monte Cabugi, um vulcão adormecido, parar em biroscas e saborear frutas e doces caseiros. Sem o roteiro rígido das excursões, o visitante terá tempo para um mergulho ou passeio de barco na lagoa de Apodi, para aliviar o calor, ou ainda visitar campos de extração de petróleo em municípios próximos. Uma opção de almoço típico é a galinha caipira no pirão do restaurante do Aílson, a atração culinária da vila do Lajedo. O prato – pasme! – custa apenas 5 reais.

O roteiro - com duração de um a dois dias – costuma atrair principalmente jovens adeptos do ecoturismo e desejosos de observar ao vivo aquilo que só conhecem através dos livros. É o caso do publicitário André Arruda Cavalcanti, da psicóloga Allany Amadine Soares e do analista de informática João Câncio Junior, três amigos que puseram o carro na estrada e foram se perder nas fendas e grutas de Soledade. Valeu a pena? “Claro, o Lajedo é um lugar exótico, diferente de tudo o que eu havia visto antes”, afirma Câncio. Um lugar, aliás, onde os sinais do passado longínquo podem até excitar a imaginação de alguns. “Ao caminhar pelas fendas tive a impressão de que a qualquer momento iria trombar com algum personagem de filmes de ficção, como 2001 ou Guerra nas Estrelas”, diz Arruda.  Coisas do Lajedo 45 graus. 

ANOTE AÍ!

COMO CHEGAR

A partir de Natal, a melhor opção é alugar um carro e rodar pela BR 304 até Mossoró. A partir daí, segue-se pela BR 405. A saída para o Lajedo fica pouco depois do quilômetro 76. O acesso é por uma estrada de terra de 5 quilômetros de extensão.

Apenas uma companhia áerea, a BRA, mantém vôos para Mossoró, onde está o aeroporto mais próximo do Lajedo (75 quilômetros). Os aviões partem de São Paulo e a tarifa é atraente: R$ 401. 

ONDE FICAR

Para quem deseja pernoitar há opções próximas e distantes. A diária no Hotel Lajedo, em Apodi, a 7 quilômetros do sítio arqueológico, tel. (0__84) 333-3113, varia de R$ 28 a R$ 42 em apartamento duplo, com ar condicionado.  No Hotel Thermas, em Mossoró, tel. (0__84) 318-1200, a diária é de R$ 220 em apartamento duplo, standard, mas é possível negociar desconto de até 30%. O Thermas tem serviço de spa, um bom restaurante e um conjunto de piscinas de águas termais.

ONDE COMER

Uma opção de boa comida é o Restaurante Moinhos, do Hotel Thermas, com cozinha internacional e regional. Carne de sol sertaneja, para duas pessoas, custa 20 reais. Peixe no vinho, recheado com camarão, sai a 20 reais a porção para duas pessoas.

ONDE COMPRAR

Na lojinha do museu pode-se adquirir peças confeccionadas por artesãos locais: pingentes de fósseis de moluscos (R$ 6), camisetas (R$ 15), quadros que reproduzem pinturas rupestres (R$ 40 a R$ 60).

 

 

Que achou da reportagem acima? Tem algo a dizer ao autor? 
Envie agora sua mensagem (cite o título da matéria) para o jornalista Jomar Morais:

jmorais@abril.com.br


1ª PÁGINA JM REPÓRTER BLOG DO JM QUEM É JM COLUNISTAS

PORTAL PLANETA

PSICOLOGIA

EMP./TALENTOS

DIREITO de FAMÍLIA

FALE COM A GENTE