Quando
as crianças matriculam-se nas escolas, são obrigadas a cursarem
Educação Física, onde praticam jogos recreativos e exercícios
físicos. No entanto, nenhuma escola oferece uma Educação da Alma,
uma disciplina na qual os alunos pudessem se trabalhar emocional
e psicologicamente.
A
maioria das pessoas têm consciência da necessidade de cuidar do
corpo. Sabe que sem a ginástica, com a vida sedentária e a má
alimentação, estará arruinando a própria saúde. No entanto, a
maior parte das pessoas encara o cuidado com a alma de forma bem
diferente. Vê aqueles que se ocupam desse assunto como loucos ou
anormais. É como se achassem que a alma não necessitasse de cuidados
como o corpo – ou porque ela não é facilmente vista, ou porque não
demanda atenção, pois cada um pode se virar com os seus próprios
problemas.
Essa perspectiva do senso comum sobre a psicoterapia é completamente
equivocada, pois ignora que, praticamente, todas as pessoas, salvo
alguns pouquíssimos privilegiados, deveriam praticá-la. Há
cerca de 1 500 anos, Sócrates nos advertia da necessidade de cuidar
mais da alma do que dos corpos. Esse conselho está mais atual do que
nunca. A todo momento somos bombardeados por estímulos perniciosos e
nefastos. Basta ligar a TV para sentirmos isso: seqüestros,
assassinatos, guerras, miséria, estupros, catástrofes. Essas informações,
como um alimento tóxico e deletério, acabam nos deixando ou insensíveis
a tudo ou estressados e inseguros.
A terapia é uma ginástica da alma, e todos nós, em algum nível,
temos problemas existenciais e emocionais que não conseguimos
resolver sozinhos, precisando de uma ajuda externa especializada.
Dedicamos muito pouco tempo ao cultivo da alma e da espiritualidade. O
resultado é a depressão e o estresse, sintomas cada vez mais comuns
nos dias de hoje. Varrer os problemas para baixo do tapete, fingindo
que eles não existem e adotar o “sedentarismo psíquico” é
perigoso, pois coloca a vida de quem assim procede
sob a ameaça de crises existenciais sérias, motivadas muitas
vezes por acontecimentos
até banais.
A terapia não é um procedimento curativo-emergencial; não se deve
buscá-la como quem vai a um Pronto-Socorro. Fazer terapia é um
investimento em si mesmo, uma conduta preventiva. Da mesma forma que
os exercícios físicos para o corpo, a terapia possibilita um
fortalecimento da alma e uma mudança nas atitudes e no modo de ver o
mundo, melhorando a qualidade de vida e permitindo que a pessoa lide
de forma mais criativa e menos neurótica com os problemas do dia a
dia.
Deve procurar terapia todo aquele que sente não estar vivendo
a própria vida como gostaria, seja profissionalmente, seja
afetivamente. Viver sem intensidade ou sem emoção, sentir-se vazio
ou desorientado são as razões mais comuns, hoje em dia, que levam as
pessoas a buscar uma ajuda terapêutica.