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Clareando


  1. Clara
  2. Trocando em miúdos
  3. E Se...
  4. Lua De Cetim
  5. Atrás da Porta
  6. Vai Passar
  7. Por Tudo Que Eu Te Amo
  8. Parceiros
  9. Pivete
  10. Pau-Brasil
  11. Embarcação
  12. Meu Caro Amigo
Capa do LP - Clareando












Clara

Luz
Uma luz que se acendeu
Fogo
Era o fogo de xangô
Estrela que um dia despencou
Das esferas lá do céu
E caiu na minha vida
Não era uma constelação
Era a paixão de clarear
A clara magia de viver
Diz o mar y-lê-aiê
Tantas coisas diz o mar
E Clara sereia
Que navega noutro mar
Vagueia
Pela noite, pelo ar
Me incendeia
Porque o fogo de cantar
Não se apaga
É Clara princesa
No pais da escuridão
Acesa
Feito luz de incendiada certeza
Que a mania de sonhar
Não, não vai se acabar
É clara
A estrela
Rebrilha no ar
A estrela
De Clara
Não vai se apagar


E Se...

E se o oceano incendiar
E se cair neve no sertão
E se o urubú cocorocar
E se o Botafogo for campeão
E se o meu dinheiro não faltar
E se o delegado for gentil
E se tiver bife no jantar
E se o carnaval cair em abril
E se o telefone funcionar
F se o pantanal virar pirão
E se o pão de açúcar desmanchar
E se tiver sopa pro peão
E se o oceano incendiar
E se o Arapiraca for campeão
E se a meia·noite o sol raiar
E se o meu pais for um jardim
E se eu convidá-la pra dançar
E se ela ficar assim, assim
E se eu lhe entregar o meu coração
E meu coração for um quindim
E se o meu amor gostar então
De mim


Lua de Cetim

Lua de cetim
Tempo quente, amendoim
Dia de vadiar
Vagabundear
De tudo adiar
Se deliciar
Deito no capim
Planto avencas num xaxim
Samambaia e algum jasmim
Que preguiça de mim!
Ai, ai, que me dá
Sei lá, o que me dá
Só sei que isso me encanta
Sapos no quintal
Venta a roupa no varal
Vai caindo um toró
Lá no Tororó
Cantou um curió
E eu fico tão só
Sabe meu amor
Meu jardim tá todo em flor
Deu camélia e monsenhor
Deu até beija-flor
Não é que me deu
Vontade do meu
Menino que bem me nina
Seja como flor
Seja sempre o meu amor
Diga o quanto o bem-me-quer
Gira o sol se bem me quer
Se é bom viver em paz
Não abra meu rapaz
Não faça o que não quer
Não faça o que se faz
Lua de cetim
Tempo quente, amendoim
Dia de vadiar
De vagabundear
Dia de adiar, se deliciar
De vagabundear
Vai caindo um toró
Cantou um curió
E eu fico tão só
Cantou um curió


Atrás Da Porta

Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei
Eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei E te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho

Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome e te humilhar
E me entregar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Até provar que era tua
Até provar que era tua
Até provar que era tua


Por Tudo Que Eu Te Amo

Canto, por todo o nosso engano
Por tudo que eu te amo
Por todo esse fracasso
Pelo que eu te ameaço
Por essa nossa caça
Por essa nossa raça
De todas as maneiras
Com todas as besteiras
Eu cheiro a sua vida
E amanheço vivo
Por tudo que é sagrado
Com todos nossos medos
Me perco nesse inferno
Nosso colégio interno
E a gente não se cansa
E a gente não descansa
E nunca tem vergonha
Por tudo que se sonha
Sonho, somos
Nós somos um delírio
Com todos os prazeres
E a chama que nos cega
São tantos os demônios
Rondando a nossa cama
Com todas as verdades
Com a nossa liberdade
Voce é a cidade
Nós somos um caminho
Por todo esse carinho
Nós vamos tateando
Pisando nas esquinas
Nós somos uma quina
Que o tempo não domina
Eu quero o cotidiano
Por todos esses anos
Às vezes sem assunto
Mas acordando juntos
Sempre juntos
Fiéis ao desatino
Brincando com o destino
Por todos os momentos
Seguindo a nossa trilha
Com todo o sentimento
Por toda maravilha do amor


Parceiros

Primeiro cruzamos caminhos
Corremos o verde do tempo
Pisamos o chão como indios
Nascemos d0 mesmo luar
E, então inventamos futuro
Juramos a cumplicidade
E só essa lei nos regia
Até que a viola chegou

O som possuiu nossos corpos
O canto partiu em viagens
Até onde a gente nem pode pensar
Falamos de amor, e outras rimas
Crescemos somando outras cores
Vibramos tanta lealdade
Que o inferno até se assustou

De fato, teimosos que somos
Partimos direto pra briga
Não houve desfeita ou intriga
Que nos confundisse a razão
E cruzamos novos companheiros
De letra, de som e de crença
Retrato, pincel e de dança
De tudo que a arte criou

O manto cobriu nossos corpos
E o canto partiu em viagens
Até onde a gente queria alcançar
Falanoo de amor e outras rima
Contamos com a força de muitos
Colocando voz nesses olhos
Que chegam pra nos encantar

E as vozes se tornaram tantas
Que não há mais palco e platéia
A gente que canta conosco
É o presente que deus nos legou
É parceiro
A gente que conta conosco
É a respota que a vida mandou


Pau-Brasil

Era uma vez
Uma floresta
Cheia de festa
E balangandã
Na noite fresca
Carnavalesca
Brilhava a estrela
Aldebarã
E nas quebradas
Da madrugada
Toda menina
Era cunhã
Um belo dia
Uma menina
Achou no mato
Uma maçã
Olhou a fruta
Meio de banda
Como se fosse
Coisa malsã
Deu uma dentada
Meteu o dente
E de repente
Tchan-tchan-tchan-tchan
Ouviu na mata
A voz possante
E extravagante
Do deus tupã
Que então lhe disse
Mas que tolice
Minha menina
Minha cunhã
Uma maçã é uma maçã
É uma maçã, é uma maçã
E a menina foi pra gandaia
Cantarolando
Cubanacan


Embarcação

Sim, foi que nem um temporal
Foi um vaso de cristal
Que partiu dentro de mim
Ou quem sabe os ventos
Pondo fogo numa embarcação
Os quatro elementos
Num momento de paixão

Deus, eu pensei que fosse Deus
E que os mares fossem meus
Como pensam os ingleses
Mel, eu pensei que fosse mel
E bebi da vida
Como bebe um marinheiro de partida, mel
Meu, eu julguei que fosse meu
O calor do corpo teu
Que incendeia meu corpo há meses
Ar, como eu precisava amar
E antes mesmo do galo cantar
Eu te neguei três vezes
Cais, ficou tão pequeno o cais
Te perdi de vista para nunca mais


Página feita por Paulo Filho.
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