| Música Popular Brasileira
Francis |
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Cabelo Pixaim
Namorei uma morena do cabelo pixaim
Que fingiu que me amava e depois zombou de mim
Tinha os olhos de turqueza e a boca de carmim
O calor da natureza, coração de trampolim
Me fazia sua presa numa torre de marfim
Leviana com certeza, japonesa de pequim
Me deixou desconsolado, quase-quase, assim-assim
Sentimento injuriado, sem um sonho, sem um fim
Namorei uma morena, japonesa de pequim
Que fingiu que me amava numa torre de marfim
Tinha os olhos de turqueza quase-quase, assim-assim
Leviana com certeza, coração de trampolim
Me fazia sua presa, sem um sonho, sem um fim
Sentimento injuriado e depois zombou de mim
Me deixou desconsolado, japonesa de pequim
Pássara
E aí
Ela cisma de voltar
Sorri
Quase pra te provocar
Sim, goza tal felicidade
Que tu vais ter que te amargar
Vais perseguir a maldita
Vais insultá-la na rua
Vais jogar pedras na lua
Vais montar uma guarita
Pra que aquela esquisita
Não se atreva a voltar
E aí, e aí, e aí
E aí
Ela cisma de voltar
Sorri
Quase pra te perdoar
Sim, exala tal liberdade
Que não podes mais tolerar
Vai manchar tuas verdades
Vai se enfiar no teu leito
Trair-te no teu próprio peito
Vai quebrar todas as grades
De que um homem é feito
Pra esquecer de voar
E aí, e aí, e aí
E aí
Ela cisma de voltar
Sorri
Quase pra te convidar
Quase pra te convencer
Quase pra te complicar
Quase pra te confundir
Mesmo pra te enlouquecer
Mesmo pra te despertar
E aí
Navio Fantasma
Os dias ainda suporto
Às noites é que eu me condeno
De madrugada eu acordo
Sangrando canções de veneno
O sol dos teus olhos me mata
E a lua dos meus te apavora
Derrama-se o ouro na prata
Inventa-se o sangue da aurora
Marés de saudade já cedo
Batendo nas praias vazias
E o meu coração nos rochedos
Morrendo em marés de agonia
E assim são as águas da vida
E o mar é um mistério que pasma
Tu és a cidade perdida
E eu sou o navio fantasma
Baião do Jeito
Do jeito que o mundo anda preciso dançar melhor
Desarrumar o destino saber de toda demanda
Provar do meu desatino
Desaprender todo ensino
Se não dar pé desfino o coro dessa ciranda
Do jeito que o peito bate preciso dançar melhor
Senão xadrez vira dama, senão o beque rebate
Quem chora pouco não mama
Riso demais vira drama
Não sinto quem não se inflama
Não temo quem quem não se trata
Do jeito que ela me mexe preciso dançar melhor
Senão paixão vira posse
Senão o cê vira esse
Espirro passa por tosse
Enfado vira finesse
Não sinto quem não se coce
Não vejo quem não se avexe
Cinzas
Já não volta mais a primavera
Aonde a menina pagã
Só resta a demora da espera
E um corpo tão frio hortelã
E a calma de quem desespera
Rolando que nem avelã
E eu sempre a me perguntar
Todo esse verão passei sonhando
Costurando, navegando
Tantos planos, tantos planos irreais
E as rendas vivas do meu medo
Já não velam meu segredo
Abandonado num cais
No outono eu queimava de amor
E as folhas caiam com calma
Ardiam as cinzas da dor
Fumaça de incenso na alma
A vida escrita na palma
A morte pedindo um favor
E eu sempre a me perguntar
Todo esse inverno me insultando
E a saudade me esfriando
E eu amando, e eu amando até o fim
Escuta um coração que quase escapa
Um vilão de espada e capa
Agonizando em mim
Parintintin
Diz pro parintintin
Se esquecer de mim
Diz pra ele que eu sou pior que o ruim
Corre lá pra avisar do seu fim
É melhor não chegar perto assim
Caça a onça, macaco e um caititu
Assim palha, pindola, uma anta e um tatu
Faz um grande festim, entorna o teu caumim
E de quem ri do teu paraíso nú
Goza a felicidade de um corpo nú
Olha aí quanta gente querendo o xingú
Caiapó, carajá, um camaiurá
Guarani, guaianá, guaicurú, guajá
Corre e lasca onde ali tá liana
Sobe aqui vem de lá quiriri
Solta o teu curumim lá no mato e no amor
Salta um rio, ouve um pio, recolhe tua dor
Busca um canto, um recanto, não mates a flor
Vai daqui ou te mato com o meu amor
Que sufoca e maltrata e te dou uma flor
Olha o bicho fugindo anunciando o horror
Diz pro parintintin
Se esquecer de mim
Diz pra ele que eu sou pior que o ruim
Corre lá pra avisar do seu fim
É melhor nunca mais chegar tão perto assim
(Diz pro parintintin se esquecer de mim) Olha o teu fim
(Diz pro parintintin se esquecer de mim) Esquece de mim
(Diz pro parintintin se esquecer de mim) Seu curumim (Diz pro parintintin
se esquecer de mim) Foge de mim
(Diz pro parintintin se esquecer de mim) Parintintin
(Diz pro parintintin se esquecer de mim) Longe de mim
(Diz pro parintintin se esquecer de mim) Esquece de mim
(Diz pro parintintin se esquecer de mim) Foge de mim
(Diz pro parintintin se esquecer de mim) Seu curumim
(Diz pro parintintin se esquecer de mim) Olha o teu fim
(Diz pro parintintin se esquecer de mim) Parintintin
(Diz pro parintintin se esquecer de mim) Longe de mim
(Diz pro parintintin se esquecer de mim) Seu curumim
Elas Por Elas
Teve uma cujo o nome ainda hoje me atazana
Uma outra cuja a fome de carinho era insana
Uma que me conduzia com cuidado passo a passo
Minha mão, me parecia, que floria em seu regaço
A que era prevenida me entregava de bandeja
A que era benfazeja não me dava boa vida
Se esqueço a derradeira meu futuro é derrotado
Se relembro da primeira me transformo em seu passado
Teve mesmo a leviana que é pra não se por defeito
Quando lembro de fulana ainda caio de mal jeito
Me matei por causa de uma que se abria em seu decote
Quando vi sumiu na bruma remexendo um fox-trot
A penúltima que eu tive entendia do riscado
Requebrava em verso livre, versejava sincopado
Teve aquela que foi breve como a brisa que arrepia
Uma outra de tão leve avoava em demasia
Uma outra tinha tudo para ser quase minha filha
Me traia em verso mudo, me amava em redondilha
Meio Demais
Já conheço essa conversa
De surdo, calculada
Fiada
Sei seu preço
Seu peso
Pelo avesso
Já sei como estava combinado
Deu certo
Tudo errado
Vivendo e aprendendo
Amado e no fim
Goste de mim
Como estava combinado
Eu amei, amei meio demais
E até fui sincero no amor
Nem assim nada disso adiantou
O Rei De Ramos
Ele disse pra escola caprichar
No desfile da noite de domingo
Com ginga, com fé
Pediu muita cadeira a requebrar
Minha boca com dente pra caramba
E samba no pé
De repente o pandeiro atravessou
De repente a cuíca emudeceu
De repente o passista tropeçou
E a cabrocha gritou que o nosso rei morreu
Viva o Rei de Ramos
Que nós veneramos
Que nós não cansamos de cantar
Viva o rei dos pobres
Que gastava os cobres
Nas causas mais nobres do lugar
Viva o rei dos prontos
Que bancava os pontos
Que pagava os contos do milhar
Viva o Rei de Ramos
Viva o Rei, viva o Rei
Viva o Rei de Ramos
Os seus desafetos e rivais
Misericordioso, não matava
Mandava matar
E financiava os funerais
As pobres viúvas consolava
Chegava a chorar
De repente gelou o carnaval
De repente o subúrbio estremeceu
E a manchete sangrenta do jornal
Estampou garrafal que o nosso rei morreu
Viva o Rei de Ramos
Que nós veneramos
Que nós não cansamos de cantar
Viva o rei dos crentes
E dos penitentes
E dos delinquentes do lugar
Viva o rei da morte
Da lei do mais forte
Do jogo, da sorte
E do azar
Viva o Rei de Ramos
Viva o rei, viva o rei
Viva o Rei de Ramos
Flor Do Mal
Sinto por ti uma espécie de amor imortal
Te trouxe efêmeras violetas para lhe enfeitar
Mas sei bem que preferes estrelas do mar
Se fosses a virgem mas és a flor do mal
Tenho por ti deusa minha um desejo fatal
E trouxe eternos diamantes para lhe agradar
Mas nem sei se nascestes do fogo ou do ar
Se fosses senhora, mas és a flor do mal
Marina Morena
Meia volta, volta e meia
Ciranda de areia
Volteio dobrado
Meu canto mexe um tempero
De amor feiticeiro
De corpo fechado
Cego
Solto
Salvo
Só
Passei a semana pensando em você
Sofrendo por tudo querendo você
Lembrando mentiras bonitas para te dizer
Marina morena você não pintou
Me vira o seu rosto me faça o favor
Me salva do abismo, do abismo de me perder
No vento da maré cheia
Meu canto ponteia na noite calada
Fogueira que me clareia
E o fogo incendeia
De chama cerrada
Leve
Lenta
Branca
Só
Quando ressoa o pandeiro
Festim cativeiro
Cantiga rimada
Meu sangue dança na veia
Canção de sereia de alma penada
Vaga
Magra
Livre...
Grão de Milho
Sou pequeno feito conta
Bem menor que grão de milho
Minha terra é minha infância
Onde estou é meu exílio
A manhã sempre madruga
Quando o corpo ainda descansa
Esquecido do seu sono
Claridade muito branca
A preguiça não faltava
Nem sobrava esperança
Pela tarde escurecia
Vendaval de passo preto
Nem um vento extraviado
Vem turvar o arvoredo
Nem um susto ou desejo
Me passava tanto medo
A noitinha vinha vindo
Pelas asas dos morcegos
Uma dor se acomodava
Nas profundas do meu peito
Não sabia que a saudade
Era triste desse jeito
Página feita por Paulo
Filho.
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