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Passaredo


  1. Passaredo
  2. Máscara
  3. Trocando em Miúdos
  4. Meu Homem
  5. Lindalva
  6. Último Retrato
  7. Pouco Me Importa
  8. Carta
  9. Maravilha
  10. Ave Maria
  11. Anoiteceu
  12. Meu Melhor Amigo
  13. Luisa
Capa do CD - Passaredo












Passaredo

Ei, pintassilgo
Oi, pintaroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol sem fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí

Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chapim
Xô, cotovia
Xô, pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí


Máscara

Máscara, máscara
Máscara que cobrindo o meu rosto
Me dando razão e gosto pra avançar na contramão
Máscara foi com teus olhos vazios
Que logo louco me perdi de amor e arrepios

Máscara cobro os meus olhos de volta
De quebra a minha incerteza e a voz tremida mas clara
Desmascarada declara
Que os mistérios do amor
Têm de ser sempre vividos
Corpo a corpo, cara a cara
Máscara, máscara...


Meu Homem

Meu homem é o meu pão dormido
Inteiro, calçado
Restos jogados na cama
Sonho torto agoniado

Meu homem é meu sala e quarto
Conjugado na tristeza
É o aluguel adiado
É má fama, cama e mesa
Meu homem traz os seus olhos vazios, vazados
Traz o seu corpo sumido, surrado
De janelas e viagens, de mares, mágoas e bares
Traz as paisagens sofridas, batidas de vento
Sol rubro, meu homem

Meu homem é roupa suja
Que eu olho rindo, demente
Lavando a limpo o passado
Passando a ferro o presente

Meu homem nos seus trancos e barrancos
Nos gostos tortos e mancos
Faz coisas do Deus dará, meu homem
Traz no corpo um cheiro de mulher
E uma cicatriz mordida no peito

E pra mim que tanto o amei
E que ainda o sei de cor
De ponta a ponta, palmo a palmo
Esta blasfemia, meu homem

Sempre indeciso,
Traz um sorriso amarelo,
Um coração de farelo

Meu homem é meu entulho
Meu zelador descuidado
É meu feijão de gorgulho
Meu desejo enguiçado

Meu homem não vale nada eu sei
Mas foi tudo o que encontrei


Lindalva

Lembra Lindalva a doideira da gente amar
Correndo os campos
A lua cheia em teus seios como um colar
E a estrela d’alva a enfeitar teus cabelos

Lembra Lindalva da gente rolando
Sobre um colchão feito de capim novo
Duas pessoas e os bichos olhando
Como dois bichos no meio do povo

Mas depois veio a distância a nos separar
E o tempo é coisa que jamais recua
Dando ao destino uma chance de atravessar
Algo entre nós assim como uma rua

Foi nosso amor uma história singela
Que aconteceu e acabou num relance
Feito o capítulo de uma novela
Que não mostrou o final do romance

Sabe Lindalva não vale ninguém guardar
Nenhum rancor por não ter dado certo
Um dia a gente se encontra em qualquer lugar
Quero te ver, como eu, de peito aberto

Sei que é difícil que um dia isso ocorra
Mas lembre apenas do que foi bonito
Pois jura de amor sem fim nem que morra
Lembrado assim será sempre infinito


Último Retrato

Eu vi o teu cabelo se soltar, cair
E o teu vestido se enroscar
Teu corpo desbotado na moldura da janela
E longe aquele fado ranhado na vitrola
Desse bar perdido aonde nós

Cruzamos nossos olhos como dois cristais
Batemos nossos corpos sem saber por quê
Juntamos nossos sonhos, calamos nossos gritos
Dançamos noite afora, grudados quase aflitos

Agora nesse quarto frio, nesse hotel
Teu vulto ai parado me faz mal
E para sempre o teu jeito perdido
Ficou colado no meu olhar


Pouco Me Importa

Ah! Pouco me importa a maldição
De ter perdido o teu amor
Pouco me importa que esta porta
Não me deixe mais entrar
Porque eu te quero até o fim
E sem pudor vou gritar
Tudo o que o meu corpo guardou
Pra teu prazer, pra meu penhor
E agora finges não querer

Ah! Pouco me importa a humilhação
De te esperar de bar em bar
Pouco me importa se me cospes
Com furor por te agarrar
Por eu teimar a ferro e fogo
Em arrancar
O que você não teve peito de encarar
E que não tem por moda e medo
Mais jeito de entregar

Ah! Pouco me importa o que vier
Vou te arrastar, te agadanhar, te macerar
Nesses lençóis, no meu suor ai
Ah! Pouco me importa o teu horror
E o teu prazer se uma vez mais
Tu vais gritar dentro de mim
Como se fosse meu.


Carta

Nunca estive tão sozinho
nos caminhos da trizteza
nos campos de outra nobreza
nos lagos de tanto vinho
Nunca estive tão sofrida
nos trilhos da solidão
nas carreiras da paixão
nas dentadas desse pão

Nunca estive tão cansado
nas calmarias de um bar
nas paradas de um olhar
nas tatuagens de um fado
Nunca estive tão assim,
tanta rama e tanta gana
Tão maduro e tão sem cama
Tão seguro e tão sem fim


Maravilha

Maravilha
Ilha de luz
Quero tua cor mulata
A tua verde mata
Os teus mares azuis

Maravilha
Também quero o teu bagaço
A força do teu braço
O afago dos teus calos
Quero os teus regalos
Encharcados de suor

Antilha
Ilha de amor
Jura que a felicidade
É mais que uma vontade
É mais que uma quimera

Ai, eu quero uma lembrança
Eu quero uma esperança
A tua primavera

Ai, eu quero um teu pedaço
Entorna o teu melaço
Sobre a minha terra


Ave Maria

Ave Maria olhai por nós
Todo rosto o mesmo rosto
A mesma falta de destino
Todo rosto o mesmo rosto
Chuva, noite, sol a pino
Todo rosto o mesmo rosto
Igual como batida de sino

Ave Maria, Ave Maria
Escutai nossa gente
Vira noite, vira ano
Vira, vira tempo
Vira noite, vira dia
Não sabemos mais como segurar
Nossa alegria

Chuva, noite, sol a pino
Todo rosto o mesmo rosto
Ave Maria

Ave Maria, rogamos por nós
Nos dê uma terra mansa
Ou levai pra sempre
A nossa maldita esperança
Ave Maria, olhai pra nós
Ave Maria, Ave Maria


Anoiteceu

(A luz morreu, o céu perdeu a cor
Anoiteceu no nosso grande amor)

Ah! Leva a solidão de mim
Tira esse amor dos olhos meus
Tira a tristeza ruim do adeus
Que ficou em mim
Que não sai de mim
Pelo amor de Deus

Vem suavizar a dor
Dessa paixão que anoiteceu
Vem e apaga do corpo meu
Cada beijo seu
Porque foi assim
Que ela me enloqueceu

Fatal, cruel,
Cruel demais
Mas não faz mal
Quem ama não tem paz


Meu Melhor Amigo

Como vai você amigo
Como vai o sonho e a dor
E o som do teu piano
E o copo no piano
Eu sei como é
Lembro bem como é

Eu também vou indo amigo
Já nem dói a minha paixão
Você bem me disse
Com tanta razão
Que tudo foi tolice
E veja como eu
Consigo acreditar
Que eu posso mudar
Que eu vou me ajeitar
Mas é que eu não sei
Viver sem você

Perdoe eu te ligar pra isso
E ainda falar nisso
Esquece sim
Não, não chore não

Adeus meu melhor amigo
Não esqueço o teu despertar
E o teu bem amar
Nem sei bem porque
A gente está tão longe...


Luisa

Por ela é que eu faço bonito
Por ela é que eu faço o palhaço
Por ela é que saio do tom
E me esqueço no tempo e no espaço
Quase levito
Faço sonhos de crepon

E quando ela está nos meus braços
As tristezas parecem banais
O meu coração aos pedaços
Se remenda prum número a mais

Por ela é que o show continua
Eu faço careta e trapaça
É pra ela que faço cartaz
É por ela que espanto de casa
As sombras da rua
Faço a lua
Faço a brisa
Pra Luisa dormir em paz


Página feita por Paulo Filho.
E-mail: pfilho@summer.com.br
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