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Pau Brasil


  1. Pau Brasil
  2. Cada Canção
  3. Falcão
  4. Língua de Trapo
  5. Ribeirinho
  6. Rio Vermelho
  7. Embarcação
  8. O Tempo da Flor
  9. Luar do Japão
  10. A Grande Ausente
  11. Mente
  12. Rio Negro
Capa do LP - Pau Brasil












Pau Brasil

Era uma vez
Uma floresta
Cheia de festa
E balangandã
Na noite fresca
Carnavalesca
Brilhava a estrela
Aldebarã
E nas quebradas
Da madrugada
Toda menina
Era cunhã
Um belo dia
Uma menina
Achou no mato
Uma maçã
Olhou a fruta
Meio de banda
Como se fosse
Coisa malsã
Deu uma dentada
Meteu o dente
E de repente
Tchan-tchan-tchan-tchan
Ouviu na mata
A voz possante
E extravagante
Do deus tupã
Que então lhe disse
Mas que tolice
Minha menina
Minha cunhã
Uma maçã é uma maçã
É uma maçã, é uma maçã
E a menina foi pra gandaia
Cantarolando
Cubanacan


Cada Canção

É, são as mesmas canções que cantamos
Seremos sempre irmãos e hermanos
Somos filhos das mesmas cantigas de roda
Ninados com ranchos e modas
É com amigos parceiros e pares
Que colorimos os palcos e lares
E se em cada canção se refaz a magia
A cada canção que sangria
Ah! Os mistérios do meu coração
Os segredos amores e medos
Seus enredos vou cantando e vou vivendo
É verdade
Vou vivendo e contigo aprendendo
Vou rezando pra São Pixinguinha
Nos trazer outra vez o Vininha
Derramando notinhas do céu
E as estrelas virando anjos
E os anjos sorrindo pra gente
A invejar nossa lua de mel
E enquanto houver nem que seja um sonho
Serão juntos os nossos caminhos
Serão muito os nossos carinhos


Língua de Trapo

Por causa daquela benvinda
De uma lembrança infinda
E que me esqueceu na berlinda
Por onde será que ela anda
Girando naquela ciranda
Que era um rodamoinho
Quase que caio de banda
Quase escorrego do ninho
Onde ela anda
Por causa daquela má-dona
A filha de uma da zona
Que me deixava na lona
Jogado fora de mim
E não me dava lugar
E não vivia sem mim
E só vivia no ar
Por causa daquela enjoada
Fingia um ar de cansada
Não via graça em nada
Sempre fazendo jejum
Não me deixava crescer
E não sobrava nenhum
E nem queria saber
Por causa daquela fulana
A filha de uma mãe Joana
Com ginga de falsa baiana
E que balançou minha vida
Por causa daquela enxirida
Que nem defeito não tinha
Tudo na falta de jeito
Tudo na falta de linha
Tudo na falta de...
Tudo na falta de lida
Tudo na língua comprida


Ribeirinho

Foi a noite que me trouxe
Num suspiro de mansinho
Rio grande de água doce
Veio d'água ribeirinho
Nessa casa tem recanto
Nessa outra tem vizinho
Se caminho mais um tanto
Tô no meio do caminho
Nesse bosque tem quebranto
Tem cavalo azul marinho
Vai deixar meu corpo santo
Sem coroa sem espinho
São José é meu cumpadre
São Francisco é meu padrinho
Eu nasci num fim de tarde
Eu nasci pequenininho
Foi a noite que voava
Como voa um passarinho
Foi a fonte que cantava
Flauta doce cavaquinho
E o vento que ventava
Que rodava o meu moinho
Era o vento que deixava
Minha casa em desalinho
Leva o mundo de presente
Mas não leva seu carinho
Sem você eu sou somente
Sem você eu sou sozinho


Rio Vermelho

Rio vermelho um saveiro
Dois ou três palmos de praia
Barra de mar e de saia
Rabo de galo e de arraia
Só você vendo morena
Como a distância me acena
Rio vermelho um terreiro
Tem pé-de-vento e moleque
Samba de roda e de breque
Batuque e salamaleque
Só você vendo morena
Como essa dor vale a pena
Rio vermelho um coqueiro
A tarde cai passo a passo
Rede preguiça e mormaço
Riso perdido no espaço
Só você vendo morena
Como a grandeza é pequena
Rio vermelho o mal cheiro
Média com pão e manteiga
Na madrugada tão negra
O sono chega e não chega
Só você vendo morena
Como esse mar me envenena


Embarcação

Sim, foi que nem um temporal
Foi um vaso de cristal
Que partiu dentro de mim
Ou quem sabe os ventos
Pondo fogo numa embarcação
Os quatro elementos
Num momento de paixão

Deus, eu pensei que fosse Deus
E que os mares fossem meus
Como pensam os ingleses
Mel, eu pensei que fosse mel
E bebi da vida
Como bebe um marinheiro de partida, mel
Meu, eu julguei que fosse meu
O calor do corpo teu
Que incendeia meu corpo há meses
Ar, como eu precisava amar
E antes mesmo do galo cantar
Eu te neguei três vezes
Cais, ficoiu tão pequeno o cais
Te perdi de vista para nunca mais


O Tempo da Flor

Quem será que inventou
O tempo da flor
Que não dura mais
Que o tempo do amor
E a tristeza do amor
Quem será que inventou
Esse instante de paz
Que também se desfaz
Como o tempo da flor
Quem será que inventou toda a dor
Desse instante de luz
Que antecede a manhã
E também se desfaz
Como o tempo do amor
Quem será que inventou
A beleza do amor
O perfume da flor
Tanta poesia


Luar do Japão

O luar vem do sertão
O luar vem do Japão
A laranja vem da China
Minha canção vem da luz
Dos olhos dessa menina
A nascente vem do chão
O poente vem do dia
Quem vai morrer de chorar
Quem vai morrer de alegria
Andorinha vem do ar
Andorinha vem do mar
Vem do mar a maresia
Minha canção vem da luz
Que vem da estrela do dia
A estrela vem do ar
A estrela vem do mar
A folia vem da lua
Minha canção vem luz
Que vem do meio da rua


A Grande Ausente

A minha amada
Vinha sempre nessa estrada
Carregada de carinho
Nada tinha em seu caminho
Que não fosse todo seu
E eu também era todo seu
Até que o amor nos dividiu
O amor parou e ela seguiu
Sem compaixão de me deixar
Com esse amor que é de assustar
E sem se quer saber chorar
Meu coração fraqueja
Devagar que seja
Vai morrer
Ai, volte e me proteja
Contras as garras desse amor
Que dilacera um trovador
Vencido qu'inda espera
Oh, minha amada
Enfeitei a nossa estrada
Com palmeira e passarinho
Pra que surjas de mansinho
Só vestida de luar
Que eu vou depois me abandonar
Por dentro dos teus anseios
Meus receios vão se acabar


Mente

E quanto ao que eu lhe disse aquele dia
Eu simplesmente, não sei
E quanto ao meu estado de agonia
Eu francamente não sei...
E o que é que eu faço agora
Das histórias que eu fiz nascer
Sem enredo pra escapar
Tantas noites pra vencer
Tantos dias pra enganar
E aonde é que se esconde
Aquela porta onde eu vou te ver
Mesmo que eu não possa entrar
Deixa ao menos te dizer
Que eu só vim pra te olhar
E então essa distância tão tirana
Tão tirano, você
E então a sua ausência tão cigana
Tão cigano você
Quase impunemente... Você
Mente. Mente. Mente... Você


Página feita por Paulo Filho.
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