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Canções De Amor E Liberdade


  1. Anita
  2. India
  3. Voz do Leste
  4. Mais-Valias
  5. Che Tajira
  6. Moina Me Sorriu
  7. O Amor da Justiça
  8. Estrela Vermelha
  9. Guarânia Guarani
  10. Marilia das Ilhas
  11. América del Indio
  12. Avanzada











Anita

Vamos enfrentar
Grandes ambições
E pequenas traições

Filhos contra os pais
Irmãos contra irmãos
Duras penas. Lições.

Quanto eu me perdi
Quanto a Vidadura
Roubou-me a Paz

E, hoje, encontro em ti
O Amor que assegura
Cada vez mais

Que é pr'a endurecer
Mas, pr'a não perder
A ternura,
Jamais.


India

India, bella mescla de diosa y pantera
Doncella desnuda que habita el Guairá
Arisca romanza, curvó sus caderas
Copiando um recodo de azul Paraná

Montaraz india manceba
De la raza virgem
Eva Guayaqui

De su tribu, la flor
Montaraz guayaqui
Eva arisca de amor
Del Eden Guarani

Bravea en las sienes su orgullo de plumas
Su lengua es salvage panal de Eiruzu
Collar de colmillos de tigres y pumas
Enjoya a la musa de Ibitiruzu

Montaraz india manceba de la raza virgem
Eva Guayaqui

La silvestre mujer
Que la selva es su hogar
También sabe querer
También sabe soñar.

Tradução/Versão de Taiguara

India
Bela mescla de deusa e pantera
Donzela desnuda que habita o Guairá
O arisco romance torneou suas cadeiras
Copiando uma beira do azul Paraná

Altaneira descendente da primeira gente
Eva Guaiaqui

India... da tribu, a flor
Que abre as manhãs rubi
Vênus, brilha de amor
Na Aurora Guarani

Altiva, sua fronte é uma fonte de plumas
Sua língua é um agreste favo de Eiruzu
Seu colar descobre, entre os dentes de pumas
Os seios da musa de Ibitiruzu

Altaneira descendente da primeira gente
Eva Guaiaqui

A rebelde mulher
Pra quem a selva é um lar
Também sabe querer
Também saber sonhar


Voz do Leste

Sou Voz Operária do Tatuapé
Canto enquanto enfrento o batente co'a mão
Trabalho no ritmo desse Chamamé
Meu pouco Salário faz minha ilusão

Sou voz operária do Tatuapé
Vivo como posso a me deixa o patrão
E enquanto respira dessa chaminé
Meu povo se vira e não vê solução

No teatro da vergonha
aonde a vedade não se diz
Tem quem representa a massa,
quem ri da desgraça
E quem banca o infeliz

Tem até burguês que sonha
que entra em cena e engana a atriz
Tem quem sustenta a trapaça
e depois que fracassa
amordaça o país

Tem quem sustenta a trapaça
e. depois que fracassa,
Amordaça o país.

Já meu drama é o da cegonha...
quase morre o meu guri...
Sobra pr'o Leste a fumaça
e a peste ameaça
O ar do Piqueri

Pior que a matança medonha
é o desemprego pra engolir...
Seja no peito ou na raça,
esse teatro devasso
Alguém tem que proibir...

Seja no palco ou na praça
Essas peças sem graça
vão ter que sair.
(sair de cartaz...)

Sou voz operária...


Mais-Valias

Mais valia eu ter-te amado
Que ter-te explorado tanto
Mais valia o meu passado a teu lado
Do que mais luxo e mais encanto
Fiz do meu lar uma empresa
Fiz brilhar meu colarinho
E hoje o que resta é tristeza
E a certeza de que eu não quero
Estar sozinho
E o que foi festa é despesa
Na mesa em que mais valia
O teu carinho

Pr'a que é que eu quis mais dinheiro?
Se quanto mais possuia
Mais me via interesseiro
E, no meu cativeiro,
Mais eu te perdia...
Fiz Capital, te explorando
Fiz o mal, nos separando
E hoje aqui estou derrotado,
Um ladrão desalmado
Que acabou chorando

E hoje aqui estou fracassado.
Um patrão desarmado
Que acabou pagando.


Che Tajira

Yo no quiero ser más yo
Voy a sangrar esa piel
Y voy a ser fiel

Yo no quiero sar más yo
Voy a sanar esa piel
Y voy a ser fiel

En este primer enero
De la década de ochenta
El doctor Freud ya está muerto
Ya está muerta su tormenta
Muerta está hoy en La Habana
La prostituición hambrienta

Yo no quiero ser más...

Muerto estará el individuo
Quién muy rico hoy se presenta
Muerto estará el enemigo
Con su explotacion sangrienta
Muerto estará el asesino
A quién el Capital lo orienta.

Yo no quiero ser más... .

Che Tajira, mujer nueva...
Revolucion es plascenta:
Nasce en el vientre del pueblo
Hace el hijo y lo alimenta
Cresce en la mente del Maestro
Quién dirige y documenta

Yo no quise ser más yo
Vine a sangrar esa piel
Y vine a ser fiel

Che Tajira!... Sos mayor...
Ven a cantar con aquel
Que renasció: FI-EL.

Tradução

Eu não quero ser mais eu
Vou sangrar essa pele
E vou ser fiel

Eu não quero ser mais eu
Vou curar minha pele
E vou ser fiel

Neste primeiro janeiro
Da Década de Oitenta
O doutor Freud já está morto
Já está morta sua tormenta
Morta está hoje em Havana
A prostituição faminta.

Eu não quero ser mais....

Morto esta o indivíduo
Que hoje se apresenta muito rico.
Morto estará o inimigo
Com sua exploração sangrenta
Morto estará o assassino
A quem o Capital o orienta.

Eu nao quero ser mais....

Che Tajira, Mulher Nova...
Revolução é plascenta:
Nasce no ventre do povo
Faz o fllho e o alimenta.
Cresce na mente do Mestre
Que a dirige e a documenta.

Eu não quis ser mais eu
Vim sangrar essa pele
E vim ser fiel

Che Tajira!... És Maior...
Vem cantar com aquele
que renasceu: FI EL.


Moina Me Sorriu

Eu te amo co'a fé
Que nos faz ser mulher
E enfrentar o Poder!...
E renascer...
E refazer esse Mundo

Cheio de dor
Prosseguir lutador
E alcançar o amanhã
Livre, a Cunhã
Que faz nascer
Outro Mundo

Forte e pequenina
Se feriu e nem gemeu!
Daline Moina me sorriu
E amanheceu!...

Confiante, combatente,
consciente.
Precursora, prenunciante,
presidente.

Eu te amo e por ti
é preciso ferir,
não abrir mão do ideal
de um Mundo Igual;
de um Mundo Igual.

Lá....


O Amor da Justiça

Pois é.
Companheiro, não dá
Pr'a ver tanta injustiça
E estar a dizer "eu te amo"
Pr'a alguém que não vê.
Por isso esses anos.
Calado.
Por isso meus versos.
Proibidos.
Por isso não houve notícia
de mim pr'a você.

Pois é.
Já não quero cantar
esse amor sem justiça
que me CENSUROU
me CEGOU
pr'essa FOME em você,
que mesmo você
faz que esquece
e esconde de mim
que padece...

Cantar, sim.
Mas bem mais HONESTO
é LUTAR
Com você


Estrela Vermelha

Chão do meu lar. Litoral que te vejo azular...
Cruz-de-Luz que te sinto pesar...
Brilho... Queimar que me dóis...
Cor do sangue que nós
Nao conseguimos derramar
Praia... montanha por trás
Cai a noite no cais...
Se escurece meu peito... infeliz...
Água que jorra de mim...
E aumenta o mar entre nós:
um homem só e seu País.

Estrela vermelha que brincas no ar...
E em teu fogo me espelhas as veias do olhar...
Vou voltar
pr'o azul negro
da noite ante o crespo das águas
pescando as estrêlas,
piscando mais que elas...

Vem, meu Brasil,
Meu avô musical...
Tua violência de sal sobre a areia...
Tuas violas sereias
que em meus pés vêm tocar...
Tuas marés p'ra me libertar.


Guarânia Guarani

Com fé na companheira ao lado
Eu sonhei co'essa terra
Onde o céu nos sorri
Com fé no companheiro ao lado
Lutamos por ti,
Guarânia-Guarani

Nas asas de um bom chimarrão,
a noite - graúna - desceu.
e armou, na treva a insurreição
de um povo todo irmão
que sofreu como eu...

E flexa da Libertação
zuniu... resgatando o fuzil.
E o dono das terras tremeu...
Se arrependeu.
E o dono das ruas fugiu.
E foi tanto beijo de amor...
E o povo procriou
o Futuro
do Brasil.


Marilia das Ilhas

Marilia, Linda Argentina
de olhos que ensinam a navegar
por entre as tuas Malvinas
tão pequeninas
pr'a tanto Mar

Meu porto é um cais brasileiro
onde eu, marinheiro,
te quiero, amar
Meu peito, um rio-de-janeiro,
Em teu corpo inteiro
quer desaguar...

Meu Sol descobre o Pólo Sul
-lençol sobre o teu colo nú
Tua Zamba e meu Samba-em segredo-
se casam, sem medo,
no branco e no azul.

E o gringo que invadiu teu lar
a um Indio vai ter que enfrentar.
Tão grande é o meu contingente,
é o meu Continente que aprende
a lutar,
que o mesmo medo que mata,
ao próprio pirata,
vai afogar.

(desafio: Guitarra inglesa x Bandoneon argentino)


América del Indio

Libre América Latina
Del Brasil al Ecuador
De México a la Argentina
De Uruguai a El Salvador

Nación de tantas naciones
De Mambos y Chamamés
Autodeterminaciones
Es como las llamaré

De acá mirando el mapa...
Ai... como sugieres... y eres
Mujer...
Granadominicanicaraguaiana
Haitchilenezuelomboliviana

...llegó a mi casa un turista
buscando um macho tribal
Le dije al débil racista:
- Senhor... no lo tome a mal...
Soy Indio. No soy folklore.
Soy gente y voy a alcanzar
La Ciência que los "senhores"
Corrompem p'a dominar.
La Tierra...
La Gente...
...que los senhores
Corrompem p'a dominar.
Libre América del Indio
Es como las llamaré
Autodeterminaciones
De Mambos y Chamamés
Libre América del Indio
Peruondurricanidad
Suriparaguatemaica
Puertoricubanamá
Libre América del Indio
Del Brasil al Ecuador
De México a la Malvinas
De Uruguai a El Salvador


Avanzada

Soy un loco,
Ya lo se
Pero comprendam
Que es mi modo
Simplemente de pensar
Y que culpa tengo yo
Si está en mis huesos
Esta forma
Un tanto estraña
De cantar

Las ventanas
De hace tiempo están cerradas
Porque hay normas
Y conceptos por vencer
Alguien tiene que atrever-se
A dar el paso
Y entreabrir-las
Para un nuevo amanecer

(Guarani)
"RO JHACJHUGHI CHE RETÁ
ÄICHAA YAPOVA
PURAJHEI TAPÉ PYAJHÚ
PYCUIJHARÁ
CHE RENDUNA
JHA E MYASÁI
NDE YVY APE ARI
JHA I CATURAMO E ÑOTÏ
JHEÑOIJHAGÜA"

Tradução:
Sou um louco
Já o sei
Mas compreendam
Que é o meu modo
Simplesmente de pensar
E que culpa tenho eu
Se está em meus ossos
Esta forma um tanto estranha
De cantar

As janelas
Já faz tempo estão fechadas
Porque há normas
E conceitos por vencer
Alguém tem que se atrever
A dar o passo
E entreabrí-las
Para um novo amanhecer

(Guarani):
"Porque eu te amo
Meu país, eu faço isto:
Um novo canto
Para trilhar novos caminhos
Me ouve...
E espalha
Pelo teu chão
E, se possível, planta
Para que ele brote."


Página feita por Paulo Filho.
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